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O número
de cães abandonados que
vivem nas ruas das cidades certamente
não consta de nenhuma estatística
oficial. Mas já é
quase rotina ver animais soltos,
perdidos pelas avenidas, provavelmente
deixados ali por seu dono que,
da noite para o dia, decidiu que
não queria mais o bichinho.
É uma verdadeira legião
de animais órfãos,
sem casa, comida, carinho... que
sofrem, estão cansados,
famintos e doentes.
“Eu não consigo
entender como as pessoas vêem
um animal gravemente doente,
precisando de cuidados, e simplesmente
o ignoram, passam por ele, viram
o rosto e seguem adiante”,
lamenta a professora Uyara Makiolke,
que acolhe em sua casa nada
menos que sete cães,
todos encontrados pelas ruas
de Londrina,(Pr).
Uyara é uma mulher que
tem um amor muito especial pelos
animais. Há pelo menos
30 anos ela vive cercada de
cachorros, a maior parte deles
"adotados". Ela admite
que não consegue ignorar
um animal que precisa de ajuda.
“O que eu faço
é bastante simples: eu
recolho, trato, e se não
puder ficar com ele, encaminho
para adoção”,
resume.
Mas a tarefa não é
simples. Os animais que chegam
à sua casa normalmente
têm várias doenças:
sarnas, carrapatos e, algumas
vezes, infecções
graves. Cada animal é
cuidado pessoalmente pela professora.
Depois que a saúde é
restabelecida, começa
o tratamento "psicológico".
Uyara conta que eles chegam
da rua cheios de manias, vícios
e muito carentes. Muitos nunca
tiveram um dono, outros sofrem
com o stress do abandono. “Quando
chegam aqui, eles são
como crianças. É
necessário fazer um trabalho
com carinho, de conversa, de
imposição de limites,
porque eles precisam de tudo
isso. É preciso também
de um momento especial com cada
um, porque eles são muito
ciumentos e carentes de atenção”,
explica.
Banho,
tosa e passeio.
A rotina de uma família
que possui sete cães
é bastante agitada. Apesar
de morar em uma casa com quintal,
a professora faz questão
de levar todos os cães
para passear. “É
nestas horas que eu aproveito
pra ter um momentinho com cada
um, realmente é muito
gostoso, vale a pena”.
E pelo menos uma vez por semana,
ela convoca o marido e a filha
para se revezarem no passeio.
Os banhos são uma tarefa
à parte. É preciso
paciência para lavar tanto
cachorro. A tosa é feita
pela própria professora-
uma forma que encontrou para
diminuir as despesas com os
animais. “Eu sei que toso
mais ou menos, mas, uma vez
por ano, no natal, quando a
gente tá com o décimo
terceiro, aí a gente
se anima e leva todos pra tosar
no pet shop. Pelo menos uma
vez por ano eles ficam bem bonitinhos”.
450
quilos de ração.
Alimentar sete bocas é
uma tarefa complicada e cara.
Cada cachorro recebe a ração
separadamente, para evitar brigas,
de duas a três vezes por
dia. Juntos, eles consomem aproximadamente
450 quilos de ração
por ano. A maioria também
visita o veterinário
com freqüência. Alguns
sofrem de doenças sérias
e precisam passar a tratamentos
prolongados. Somando tudo isto,
a professora calcula que gasta
em média de R$ 2.500,00
a R$ 3.000,00 anualmente com
seus cães.
Então, com tantos gastos
e dificuldades, por que uma
mulher optaria por cuidar de
animais abandonados? Uyara diz
que seu único objetivo
é fazer com que as pessoas
percebam, com o seu exemplo,
que os animais precisam ser
valorizados e tratados com dignidade.
Mas acima de tudo isso ela diz
que gosta muito do que faz e
garante que vale a pena. “Eles
me dão muita alegria,
com eles não tem tempo
ruim. Se eu estou triste e fico
perto deles, quando eu vejo,
já estou contente de
novo.” |